El segundo día.

> Parêntesis:

Tá ficando difícil escrever! Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo!! Me disseram numa palestra sobre choque cultural, lá na Unicamp mesmo, que a primeira visão do intercambista é uma idealizada, onde tudo é perfeito… até que alguma coisa dá errado e vem a decepção, uma fase difícil que pode definir a qualidade do período em que a pessoa ficará naquele país. Enfim… comigo não foi bem assim. Tive problemas no começo que me deram algumas preocupações além do que tava no script. Agora as coisas tão encaminhadas e me parece que a fase de idealização tá prestes a começar!

Mas ainda falta contar alguns causos…

>”El segundo día” ou “Más una verguenza en el Lider”

Estava eu em Santiago, conhecendo praticamente ninguém, com a função saque do cartão sem funcionar. Resolvi voltar no Líder (esse vc vai ouvir falar bastante, toda vez que eu apareço por lá eu sempre faço alguma merda). Eu já tinha comprado na primeira vez as coisas mais essenciais, mas me faltava algo… refri, mais bolacha, essas coisas de criança [=P] e mais algumas que eu tinha esquecido de pegar no dia anterior.

Dessa vez eu fui dar uma olhada nos vinhos. Eu sabia que a variedade de vinho seria grande uma vez que o Chile tá entre os maiores produtores de vinho do mundo. Sabia também que o preço deveria ser bacana, afinal há bastantes viñas próximas a Santiago. O que eu não esperava era encontrar caixa de vinho (!), dessas tipo de leite, TetraPak®, só que de 1,5L  e até de 2L! Pode ter certeza de que ainda vou comprar váárias dessas.

Pois bem, me dirigi ao caixa, já pensando que se a mulher perguntasse sobre cuotas eu saberia responder “no, sin cuotas”. Enquanto torcia pra que ela (nem ninguém) puxasse conversa comigo, uma outra mulher, cliente do supermercado que tava atrás de mim na fila, me pediu pra tomar conta de seu carrinho enquanto ela ia buscar sei-lá-o-quê que tinha esquecido, coisa bastante comum no Brasil também. Claro, não entendi com toda essa clareza, mas como já disse, alguns gestos são universais. Eu fiquei com medo dela sumir, demorar, e eu ter que explicar pra alguém que uma cidadã tinha me pedido um favor.

No caixa, nem dei oportunidade pra tiazinha falar muito, já disse que queria pagar com ‘tarjeta y sin cuotas’. “Ufa, agora é só passar o cartão, apertar o botão verde e pronto!” Pronto?! Que nada… quando eu passei o cartão, deu um segundo pro computador processar o pedido e aparecer na tela “EXCEDE MAXIMO”. Não precisa ser professor de espanhol pra saber traduzir isso: “DEU MERDA”. Ela olhou o cartão, que provavelmente ela nunca devia ter visto um igual e me disse que tinha passado o limite. Eu fiquei em choque de novo. Cacete, toda vez que eu venho aqui dá algum problema.  Além do mais o limite do meu cartão de crédito era bemm maior do que o que eu tinha gasto desde que eu cheguei. O que eu não sabia era que o limite para gastos internacionais era só uma porcentagem do limite em reais. Eu só acho que existem outras formas de se aprender isso, não?!

Eu sempre ficava meio assim quando, mesmo no Brasil, alguém precisava tirar um item da compra porque o dinheiro não dava pra comprar tudo. A atendente pegou meu passaporte, acendeu aquela luzinha pra chamar uma outra mulher pra poder cancelar alguns itens da compra. Nessa hora eu tava com vontade era de cancelara a compra toda e sair dali o mais rápido possível ahuahauhau. Como a outra tiazinha não viu ela começou a chamar de longe mesmo, balançando meu passaporte no alto. Ela até que foi muito simpática, me perguntou o que eu queria tirar. Eu peguei o que tava mais próxima e fui dando pra ela. Na terceira tentativa passou. E o medo dela ficar tentando infinitas vezes e nunca passar? Eu não tinha a mínima ideia de quanto a mais eu tinha gastado (e nem ela!). Mas passou… passou.

Eu saí de lá o mais rápido que pude. Minha véia depois me disse bem assim “ah filho, não tinha motivo pra você ficar com vergonha. Uma vez eu vi um japonês no supermercado que… (longa-história-de-mãe) … Todo mundo passa vergonha, o problema é que você fica remoendo”. Ahuahuahuah. E fiquei mesmo! Jurei que da próxima vez que eu voltasse ali eu não ia passar vergonha, era meu objetivo de vida!

Bom, não foi bem assim…

[to be continued]

~ por globetrotter em 06/08/2009.

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