Foi um dia muito louco! Paisagem inédita, esporte inédito e uma perda nada inédita: meu celular. Não fosse esse fato seria perfeito. Tudo isso e muito mais em um dia de pouco sono e muito cansaço físico!
Tudo começou na noite de terça passada (25) quando o frio na barriga chegou. Pra maioria dos brasileiros que iam subir era a primeira vez na neve. Inclusive um deles, o Robson (Física – URGS), mal conseguiu durmir e disse ter tido uns sonhos bem malucos.
Estava combinado para sairmos às 7h10. Doce ilusão, os chilenos cultivam muito o atraso. Desde eventos quaisquer até compromissos como aulas na universidade. Pois bem, saímos em 3 ônibus, por volta das 7h30 ou mais.
O começo da Cordilheira é bem perto daqui, então a maior parte da viagem foi subindo, com milhões de curvas numeradas e batizadas com nomes de chilenos (ou não) famosos (ou não). Na mala bolachas (ou biscoitos =P), suco, chocolate, luvas, óculos e a roupa térmica que comprei por míseros 2.000 pesos (menos de $8), no centro da cidade, um dia antes de írmos. Ah, claro, protetor solar, labial, documentos e meu celular-câmera-fotográfica.
As meninas ficaram em grupos diferentes porque iam esquiar em uma pista acima da nossa, chamada El Colorado. Já os homens foram juntos para Farellones. Os primeiros contatos com a neve foram diferentes pra cada um. Quando começou surgir no meio do caminho ela parecia uma espuma, ainda meio misturada com barro e derretendo-se. Quando descemos do ônibus uns foram colocando a mão, outros o pé. Bom, como éramos 4 homens pulamos a fase boneco de neve ou anjinho e fomos logo pra parte de guerra. E sim, dói.
Chegando na estação fomos pegar os equipamentos (botas e prancha) e colocar as roupas térmicas, luvas e óculos. Mais algum tempo no busão e pronto, lá estávamos nós, no alto da montanha, agora completamente coberta de neve, assim como as casinhas e (pasmem) prédios que havia, alguns de aluguel de equipamento, outros para pernoitar. Tudo muito caro.
Nosso tour pela neve foi organizado pela universidade, o chamado ‘día blanco’, com preços pra lá de especiais. Pra se ter idéia eu paguei 18.000 pesos (R$65) pelo ticket, equipamento, transporte mais um lanche leve lá em cima. Em dias normais esse valor seria muito maior. Tive que comprar separado as luvas, óculos e essa coisa azul que quebrou um galhão.
Até 13h ou 14h tive aulas de snowboard com o instrutor, junto com mais 10 alunos. Alguns exercícios básicos, tombos nem tão básicos assim, e aos poucos fui pegando o jeito. No mínimo foi engraçado. Mais engraçado ainda foi ver a elasticidade que algumas pessoas têm na hora de cair. Tudo isso numa pista pequena, só para aprender mesmo. Claro, duarante as aulas a única coisa que eu queria era sair dali e ir pra pista grande, da qual só podia ver o começo devido à sua inclinação, que fazia com que parecesse um penhasco.
Pense num esporte que cansa… Muito esforço com a perna. E depois de descer, mesmo a pista pequena, tem que subir ao topo. Nesta havia uma corda em que tinha que segurar e ser arrastado em cima da prancha. Na outra, a grande, tinha uma espécie de gancho que pra quem fazia snow tinha que ser colocado entre as pernar e torcer para nao cair no meio do caminho. Aliás, nas duas primeiras vezes que fui cai na metade do caminho e acabei soltando o gancho. Mas até que me saí bem: as outras três vezes consegui subir a pista toda.
Claro, as melhores partes não foram fotogradas nem filmadas, que são aquelas que a gente cai ou consegue andar mais de 200 m ininterruptos. Exceto quando alguém te fotografa e você só fica sabendo dois dias depois. Esse foi o caso da próxima foto; uma brasileira que eu nem conhecia a tirou em um dos meus tombos. Se você reparar bem minha cara já era de cansado.
O sol é muito forte lá em cima! Além disso passei muito mais calor do que frio. O esforço é grande e constante, seja para fazer snow seja para caminhar na neve.
Uma pausa para o almoço e pronto, bate um sono e um cansaço que te faz querer ir pra cama. Só que até então eu não tinha ido na pista grande, só na de classes. Foi o que me deu ânimo pra continuar. Foi a melhor parte, a tarde. Esse troço vai muito rápido! Eu levei um tombo de rolar bonito, tanto que uma mulher passou esquiando e perguntou “Are you OK?”, mas dessa vez nem me machuquei.
Ainda durante as aulas eu torci o pé. Tive a impressão de que minhas botas estavam um pouco largas. Diga-se de passagem eram as maiores que a tiazinha tinha. E o medo de ter que parar antes mesmo de aprender direito? Mas continuei assim mesmo, não quis nem saber.
Eu infelizmente resolvi levar meu celular pras pistas pra mostrar de perto mesmo cada trecho, o gancho que leva a gente e talz. Não era o único não… muita gente carregava a sua câmera no bolso. Justo na última descida, por volta das 16h30, eu vejo que o bendito tava sem bateia, o coloco novamente no bolso e vou a mil me despedir da pista. Claro, tombei algumas vezes e nem me dei conta que o bolso se abriu… Moral da história: adeus (outro) celular.
Podia ser pior (aham, tô buscando um lado positivo), eu tava com minha carteira em outro bolso e nela estavam meu passaporte, documentos do Brasil e dinheiro. Com certeza eu estaria infinitamente mais puto se a tivesse perdido. Sinto pelo celular que era novo e pelas fotos e videos que tinha feito na pista, mas me tranquilizo ao ver a carteira aqui do meu lado, em cima da mesa. Estou certo que isso não foi surpresa pra ninguém… ¬¬’
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Bom, fim de festa, todos mortos de cansaço (especialmente o Israel que não obteve sequer UM sucesso com o gancho e teve que voltar caminhando a pista toda e chegar uma hora depois de mim e do Robson no busão). A experiência foi literalmente única! A temporada de inverno tá no final, o verão já se aproxima, e há grandes chances d’eu não ir para a neve de novo aqui. Aproveitei muito, curti mais ainda. Recomendo a todos!
A viagem segue caminho, com mais acontecimentos do que tempo pra contá-los, do jeito que é bom. Vale dizer que nesse dia, quarta-feira, cheguei em casa e a galera que não foi tava começando a se arrumar pra mais um Miércoles-po. E claro, tive que ir (eu ou o que sobrou de mim), chegando em casa de madrugada sem força nem pra andar. Hoje acordei TODO dolorido. Dolorido e (muito) satisfeito!
Abraço galera!






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